domingo, 18 de setembro de 2016

Minhas primeiras impressões da Rússia – UAU!

Привет всем !!
(Olá a todos)

Como vocês já sabem, estou morando na Rússia, mais precisamente na cidade São Petersburgo, mais conhecida também como a Veneza do Norte e considerada a capital cultural do país. Pois bem, cheguei aqui no dia 10 de setembro e a minha primeira semana inteira foi praticamente resolvendo papelada, burocracia e comprando algumas coisas que fizessem o dormitório ficar o mais parecido possível com algo que possamos chamar de “lar”.

Então, ainda não tive muito tempo pra percorrer a cidade, avaliar os russos e ver como se comportam, mas já deu pra formar algumas impressões mais básicas, né? É sobre elas que vou falar aqui, mas por favor levem consideração que essas impressões podem mudar conforme eu fique mais tempo aqui, pois só se conhece realmente um local depois de pelo menos uns meses vivendo imersa na cultura.

Igreja do Sangue Derramado, um dos cartões postais dessa cidade linda



Bom, a cidade é maravilhosa. Cheia de água por todos os lados, vários canais, o Rio Neva, várias pontes, enfim, uma beleza natural invejável. Não é à toa que é chamada de Veneza do Norte, né? Por causa disso, o mapa da cidade é bem diferente do que estamos acostumado a ver. Tem a parte central (mais popularmente conhecida como city) e várias ilhas ao redor, mas algumas muito próximas do centro. Eu mesma moro na Ilha Vasilyevsky, que é também onde fica a Universidade. Além disso, teatros, cinemas, museus, monumentos históricos e igrejas estão espalhados por todos os lados da cidade, tanto no centro, como nas ilhas. Tem muuuuita coisa cultural pra ver e fazer. É incrível!





Posso começar falando uma coisa que sei que não vou mudar de ideia: os russos são mais grossos que os alemães! E isso eu achei que seria impossível! Rsrs Bom, claro que isso é uma descrição generalizada, como sempre. Já conheci russos muito solícitos e bacanas, que me ajudaram e me trataram bem quando nem precisava, mas a maioria esmagadora é um povo sério, seco e sem meias palavras. Ver um sorriso aqui não é fácil, nem por parte dos prestadores de serviço (garçons, atendentes, porteiros, motoristas, caixas), nem por parte das pessoas na rua. Quantas vezes eu sorri para a pessoa na rua ou aqui mesmo no prédio onde moro e ninguém sequer mexeu o rosto? Hahahahaha Sad, but true.

As senhoras que cuidam da recepção dos dormitórios só faltam nos fuzilar com o olhar, mas tudo certo! :D O negócio é se acostumar. Com certeza não é nada pessoal com você, eles simplesmente são assim. Além do mais, abraço é uma coisa beeeem séria por aqui. Eu chego querendo abraçar todo mundo, mas na maioria das vezes me dão um aperto de mão (mas isso posso dizer que é uma coisa bem europeia mesmo).

Outra coisa que tem me irritado um pouco é que aqui tudo parece ser muito desorganizado, meio bagunçado mesmo, começando pela própria Universidade. E pelos relatos que ouvi de outras pessoas, não é só o meu curso, nem só a minha Instituição, é GERAL! Hahaha Rir pra não chorar. As informações são desencontradas em todos os lados, há muitas coisas nas quais ainda não sei direito em quem acreditar, mas um dia eu descubro. 

Ainda nesse lance de “dificuldades”, a comunicação tem sido bastante difícil pra mim, visto que meu russo é inexistente e aqui ninguém fala inglês. Mas é ninguém MESMO. Nem o garçom, nem as recepcionistas do dormitório, nem os atendentes do supermercado, nem o farmacêutico, nem as vendedoras da loja, nem o gerente do banco, nem o médico, nem o diretor de jornalismo da Universidade. É geral! É bem Brasil. E antes que venham com “mimimi”, quero deixar bem claro que isso não é uma crítica. Aqui é a Rússia, o idioma oficial é o russo, quem tem que aprender a se comunicar sou eu e não eles. Só estou relatando a minha dificuldade, mas estou tentando aprender o básico, sem muito sucesso. Hahaha Enquanto isso, sigo com meu Google Tradutor por todos os cantos, mostrando ou a foto do que eu quero ou a tradução. Tá ridículo! Rsrsrs

Quase nunca é o que você pensa que é.. :)


Por outro lado, a limpeza das ruas me surpreendeu bastante. Quando falamos em Rússia, pensamos logo num país meio Brasil, em desenvolvimento, que está crescendo, mas ainda longe de ser 1º mundo, né? Então estava esperando ruas cheias de lixo e de mendigos. Mas não é nada disso. São Petersburgo, pelo menos, é muito, MAS MUITO, mais limpa que Berlim. Não se vê nem bituca de cigarro jogada na rua. Graças! E nesse tempo todo também não vi muitos moradores de rua aqui, se eu vi 2 foi muito. Isso pode ser algo que eu venha a mudar o relato porque não andei ainda por todas as partes da cidade, né? Ah, e as ruas me lembram muito Brasília por serem beeem largas, mas com calçadas espaçosas aqui, então tá tranquilo.






O transporte público aqui não é ruim. Não tem como comparar com o transporte em Berlim que é o mais excelente que já usei nessa vida, mas aqui ainda fica beeem na frente do Brasil. Tem metrôs, ônibus e bondinhos por toda a cidade, que atendem bem a necessidade de quem mora aqui. Como a Alemanha, tudo tem um schedule mais ou menos definido, ou seja, tem horário certo pra passar, e geralmente isso é cumprido. 

 Além disso, as passagens são baratas, custando 30 rublos (R$1,50) para todos os meios de transporte, com exceção do transporte comercial, que pode custar 35 ou 40 (são tipo as nossas vans e bestas que também param nas paradas, mas aqui é legalizado). Para o ticket de estudante, pagamos 1000 rublos por mês (R$50) para utilizar ilimitado. Os ônibus param de funcionar entre meia-noite e 1 hora da manhã (ainda não tenho certeza do horário porque cada um diz uma coisa).

E um detalhe: A estação mais profunda do MUNDO está aqui, em São Petersburgo. Mas além dessa q é ainda mais profunda, existem as “normais”, cujas escadas rolantes levam “apenas” uns 90,100 segundos para te transportar lá pra baixo. É beeem difícill subir andando (claro que dá, mas prepare as pernas). A sensação é que estamos quase chegando no núcleo da Terra e sentiremos o magma aos nossos pés. Tenho medinho!




O transporte é muito bom entre as ilhas e o centro, mas há um agravante nisso aí: nos meses mais quentes (leia: menos congelantes), as pontes (TODAS!) abrem-se na madrugada, mais ou menos entre 1h e 4h da manhã, ou seja, o transporte fica inviável nesse período. Portanto, se você quiser ir pra uma festa no centro, que é exatamente onde estão os melhores bares e baladas, tem que se programar para voltar antes da 1h (tipo, oi?) ou depois das 5h da matina. Esse problema não existe no inverno porque, com a água congelada, as pontes não precisam abrir para o tráfego dos navios. Outra opção é dar a volta na cidade inteira para não precisar cruzar as pontes, mas é tipo 4x mais longe. Aí depende do dinheiro do indivíduo pra pegar um táxi assim, né? Há quem diga que aos sábados o metrô funciona até mais tarde (e ele passa em baixo do rio, então seria uma boa opção), mas também não sei se é verdade. Como eu já disse: informações vêm desencontradas.

Foto por: Flickr|a'Shioji


Quanto ao custo de vida, fica bem difícil eu falar por enquanto. Pra quem trabalha e ganha na moeda daqui (Rublo Russo), não é nada barato sobreviver, mas como a moeda está bem desvalorizada, pra quem traz euros, dólares ou até reais, está sendo uma maravilha. 1 euro equivale a 72 rublos russos; 1 dólar equivale a 65 rublos russos; e 1 real equivale a 20 rublos russos. Como eu trouxe euros, está dando certo por enquanto, mas quando acabarem e eu precisar trazer real, já vai ser mais complicadinho.


Pra dar uma ideia:

  •     1 mês de internet 5GB: 650 rublos;
  •     1 cerveja no pub: 200 rublos;
  •     1 liquidificador simples: 1600 rublos;
  •     Pacote de 3 meses de academia: 5800 (1900 rublos por mês);
  •     Plano pré-pago de telefone com internet ilimitada: 360 rublos;
  •     Ingresso do cinema: 350 rublos; 
  •    Compra básica de mercado com verduras, frutas, alguns lanches e frios: 700 rublos.


MAS CUIDADO: Nessa onda de barato aqui, barato ali, quando soma tudo pode ficar caríssimo. Ontem mesmo eu gastei 200 reais nessa brincadeirinha e não comprei nada! Foda!

É isso, façam as contas! :)

No geral, tô gostando, a experiência é incrível, o país é cheio de história e coisa pra contar, além de ser um lado bem diferente do nosso “Ocidente”, então tudo que eu aprender aqui vai ser válido e novo pra mim! As aulas começam amanhã e depois venho falar mais da Universidade pra vocês!

Ah, também quero fazer um post específico sobre o frio e sobre as atrações turísticas/ culturais mais pra frente!




Beijos de estrogonoff,

Pri.

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