quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Mãããeeee, tô na Rússia!!!

Acho que muitos de vocês já perceberam pelas redes sociais que eu não estou na Alemanha, né?! A fila anda pra tudo, mas na minha, ela VOA. E com catraca seletiva sempre, tá? Rsrs Desde o dia 10 de setembro, estou morando na cidade de São Petersburgo, na Rússia. Conhecida como “Veneza do Norte”, a cidade tem muito pra oferecer, inclusive uma das melhores Universidade do país, a Saint Pertersburg University (SPbU), que é onde estou estudando! :)



Depois eu faço um post bem detalhado sobre as minhas primeiras impressões e a minha primeira semana aqui nesse país cheio de história. Primeiro de tudo, deixe-me dizer que eu não queria de jeito nenhum sair da Alemanha e analisei muuuuito todas as minhas opções antes de decidir vir pra cá, mas não tinha escolha melhor do que vir. E não é só porque a Rússia é considerada o 7º país com as mulheres mais lindas do mundo ,ou seja, eu praticamente pertenço a esse lugar (hahaha, ZOEIRA, gente!), mas também porque aqui eu vou ter a oportunidade de dar um ‘up’ na minha carreira.

Mas agora quero explicar o que estou fazendo aqui, já que, como falei em vááários posts, eu estava tão bem ambientada em Berlim e amando (quase) tudo na Alemanha. Porquê, então, essa mudança drástica? Explicá-los-ei. Como eu expliquei nesse post aqui, um dos motivos de eu vir para a Alemanha foi para procurar bolsas de estudo ou pesquisa, pois aqui me pareceu ter melhores oportunidades para estudantes/bolsistas estrangeiros (tá tudo explicadinho no outro post, gente!). 

Depois de receber um NÃO da bolsa cuja resposta eu esperava há 6 meses, dei início ao meu plano B: tentar um Mestrado oferecido em parceria pela Frei-Universität (Universidade Livre, em Berlim), e pela University of Saint Petersburg (Universidade de São Petersburgo, na Rússia). Basicamente, o 1º e o 3º semestres são na Rússia, o 2º na Alemanha e o 4º vai depender do tema que eu escolher para a tese.



Universidade Estatal de São Petersburgo - Foto: Wikipedia 

Como muitos sabem, sou jornalista e estudar algo fora da minha área nunca foi opção. Pesquisando na internet, achei esse Mestrado em Global Communication and International Journalism e me interessei bastante, visto que jornalismo internacional é a minha área de maior interesse. Ao término do curso, o aluno recebe dois diplomas (um de cada instituição). Esse curso é relativamente novo (essa é apenas a 3ª turma) e, portanto, ainda não é muito conhecido. Além disso, tenho a impressão de que eles (as Universidades) ainda estão testando diferentes formas para o processo seletivo e, por isso, achei um pouco bagunçado no início. Pequenos ‘bugs’ como o site abrir apenas em russo, ou a Universidade não ter um código direto para receber o resultado do TOEFL (teste de fluência em inglês), além de outras coisas pequenas, mas que foram resolvidas rapidamente pelo comitê de admissão.

O curso oferece 20 vagas por ano, sendo 10 para cidadãos russos e 10 para alunos internacionais, dos quais 5 são reservadas preferencialmente para cidadãos alemães e os outros 5, para o resto do mundo. Além disso, na hora da inscrição, você deve escolher se quer um State-funded place (custeado pelo Estado) ou Paid-for (custeado pela sua carteira). Como eu não ia poder pagar, claro que escolhi a bolsa, mas sem a mínima expectativa. Sabe quando você faz algo mais por desencargo de consciência do que realmente por perspectiva de resultados? Pronto. Era esse o caso. Fiz o teste de proficiência em inglês, escrevi a carta de motivação, separei as minhas melhores matérias e enviei tudo no prazo. Mas depois de 1 semana havia até esquecido disso e tava curtindo meu “ano sabático”, por assim dizer.

O processo seletivo acontece uma vez por ano (entre março e junho) e consiste em 2 etapas. Primeiro, o candidato deve criar um perfil online para enviar toda a documentação exigida (que é muuuita, viu?), além de portfólio de trabalhos anteriores (reportagens ou artigos publicados) e a prova da fluência em inglês (eles aceitam os exames IELTS, TOEFL e Cambridge). Depois de uma análise cuidadosa do seu application, é necessário passar por uma entrevista com uma banca formada por membros das duas Universidades. E foi aí que o bicho pegou pra mim.

Como eu disse, eu estava bem desencanada e nem sabia quando seria feita a entrevista. Até que, no final de junho, recebi do nada um e-mail enviado de um celular que dizia que eles estavam no aguardo da minha entrevista. Quando respondi, descobri que os horários das entrevistas haviam sido publicados no site há 2 dias e eu tinha marcado essa bobeira. Acabamos marcando para a manhã seguinte. A entrevista seria feita por Skype às 11h e eu estaria em aula nesse horário (estava estudando alemão, na época), mas já tinha planejado tudo para dar uma escapadinha da sala por uns 15 minutos e depois voltar. O problema é que a entrevista atrasou mais de 1 hora e só fomos começar às 12h10 e às 13h eu tinha um compromisso do outro lado da cidade, ou seja, já imaginam como estava meu desespero, né? Entrei no banheiro da escola, liguei o Skype e começamos.

Logo no início, uma lapada: “O que você achou do artigo que enviamos?”, perguntou a Senhora. “Que artigo, gente????”, pensei desesperada. Não havia recebido artigo algum. Expliquei que não estava entendendo, pedi mil desculpas, e ela enviou o artigo “novamente” (segundo ela). Tive 5 minutos para ler um artigo, em inglês, de 2 páginas, falando sobre a situação dos refugiados. Isso eu no banheiro da escola, ok? Li. Recebi novamente a ligação. E toma-lhe pergunta sobre o artigo. Por sorte, o tema era interessante e o artigo estava bem escrito, então não foi difícil pegar a essência do texto e responder o que eles queriam. O problema é que eu estava tão preocupada com o horário que respondia tudo muito rápido e falando muito baixo, torcendo pra terminar logo. Enfim, na minha cabeça, tinha sido um verdadeiro desastre. Saí com a certeza que não tinha conseguido.

Dois dias depois, o resultado saiu no site e...tanan.. Fui a 3ª colocada de todas as vagas para estudantes internacionais, incluindo os alemães! :D 



Lembro que estava tão overwhelmed quando li o resultado que estava conversando com a Bru no Facebook e falei “Nossa, passei em 3º lugar num Mestrado na Rússia, mas então, você assistiu aquele episódio do..?” A ficha ainda não tinha caído. E só caiu quando a resposta dela veio seguida de um “queeeeeeeeeeeeeeeee???????” Hahaha Uma onda de felicidade me invadiu na hora e eu pensei de imediato: Show!! Vou poder trocar meu visto pelo visto de estudante universitário e trabalhar legalmente. Mas oops, essa porra É NA RÚSSIA! Calma. Pensa. Analisa. Rebobina. Acelera. Pausa. Na Rússia. Volta. Na Alemanha depois. Para. Manda mensagem pra mãe, pro pai, pra madrinha e pros amigos mais próximos. Para de novo. Analisa. E continua na dúvida. Scheiße!

Pensei MIL vezes em não aceitar, afinal eu estava finalmente me acomodando na Alemanha, fazendo amigos, me adaptando ao povo, à cidade, arrumando meu quarto novo, enfim, um saco ter que mudar tudo, né? MAS essa é exatamente quem sou. A mudança ambulante. Além do mais, não posso trabalhar legalmente na Alemanha com o visto que estou e já não aguentava mais falar alemão. Então, aceitei. Claro que teve uma forcinha e uma pressão alheia aí também! Hahaha (Menos da minha mãe, que, no início, não queria que eu fosse - medo da Rússia, pra variar).

Aí, quando eu achei que tudo ia ficar mais calmo, começou o verdadeiro pesadelo: tirar o visto para a Rússia. SOCORRO! Foi o pior visto que já tirei nessas minhas andanças pelo mundo. Nunca imaginei tanta burocracia, coloca a Alemanha no chinelo. E o preço? Ha ha ha Ainda sentindo no bolso.. Foram mais de 700 euros Gastei uma pequena fortuna em documentação, tradução, legalização, correios e o diabo a quatro!

Me senti desse jeito, enterrada em papeis


Pra começar, eu tive que fazer o exame de HIV. Sim, queridos, porque se você tiver HIV, não pode estudar no país. Democrático, não? Aparentemente, as taxas de AIDS são muito altas por aqui, então em vez de fazermos campanhas educativas para conscientizar a população a usar camisinha, vamos impedir a entrada de estrangeiros com o vírus. Faz algum sentido essa meleca?

Depois, um médico teve que olhar pra minha cara e assinar um “atestado” afirmando que estou em perfeitas condições de saúde para entrar no país. Ambos os documentos tiveram que ser traduzidos para o russo. Depois, precisei mandar traduzir também o meu diploma e o meu histórico escolar. Mas teve um porém, a querida Rússia tem um tratado, acordo, sei lá o que diabo é, que exige que os brasileiros reconheçam esses documentos em cartório, depois legalizem no MEC, no Itamaraty e, por fim, na Embaixada Russa no Brasil. Mas lembrem-se que eu morava na Alemanha, minha faculdade foi no Rio Grande do Norte, e esses órgãos estão em Brasília. Lá se foi mais tempo e dor de cabeça com correios e apelando pra mamãe e pra madrinha resolverem tudo pra mim por lá. LOUCURA total! Teve um documento que foi e voltou 3x entre Natal e Brasília porque ia com algum número errado.

Precisei enviar tudo online para a Universidade, para que eles enviassem para o Ministério da Educação da Rússia analisar. Em seguida, fui ao Centro de Vistos Russos em Berlim, paguei mais uma pequena fortuna, e deixei o passaporte lá. Por último, voltei 1 semana depois para buscar. UFA! SOCORRO! Detalhe: Esse visto é provisório, ainda preciso ir de novo em algum lugar aqui pra pegar o permanente! Hahahahaha Rir para não chorar. I really hope this shit pays off!!!

Bom, aqui estou eu. Vou morar no dormitório da Universidade, pois, como ganhei a bolsa, não pagarei nada. Mas acho que esse dormitório merece um post EXCLUSIVO para vocês entenderem como é… Rsrs! É diferente porque não temos essas experiências no Brasil, né? Ahhh, não preciso dizer que o curso é ministrado em inglês, né? Se você ainda tinha alguma dúvida, eu NÃO falo nada de russo, não sei nem para onde vai.

É isso, gente. Vêm muuuuitos posts sobre a Rússia por aí! Fiquem de olho!!!



Beijos de vodka,
Pri.

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