quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Como eu vim parar na Alemanha?

Desde que eu cheguei na Alemanha, dia 30 de janeiro de 2016, muita gente me pergunta o que eu vim fazer aqui e porque escolhi esse país. Quando eu decidi vir pra cá, eu contei pra pouquíssima gente e bem aos poucos. No início, nem meus pais sabiam e alguns amigos só ficam sabendo 2 semanas antes de eu partir. E sei que tem muitos colegas que até hoje não estão entendendo como eu vim parar aqui e morrem de curiosidade de saber! Rsrs Então, queridos, vou explicar agora o porquê de mais uma das minhas "loucuras" repentinas de largar o Brasil e ir pra outro país.




Eu sempre amei morar fora. É algo que encanta o fundo da minha alma e, depois de comer, viajar é o que mais me traz felicidade nesse mundo. Então, um Mestrado ou uma Pós-graduação no exterior sempre esteve nos meus planos, mas como as coisas no Brasil estavam dando "certo" (quer dizer, não estavam dando muito errado), fui adiando a ideia, mas sempre pesquisando e vendo quais as melhores Universidades, as melhores cidades, o custo-benefício, etc. Eu falo inglês fluente, me dou bem no espanhol e arranho um francês, então esses eram os países que eu ficava sempre de olho. Nunca, jamais, em hipótese alguma, eu pesquisei qualquer tipo de bolsa ou curso na Alemanha. Em 2014, cheguei a decidir por um curso técnico em ciência política em uma Community College de San Diego, para iniciar em 2015, mas passei num processo seletivo importante no Brasil e adiei, mais uma vez, a ideia.

Até que em julho do ano passado, a vontade de ir embora me dominou de vez. Eu trabalhava na Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil e tinha contato diário com gente do mundo todo, o que foi despertando o "gigante" adormecido dentro de mim! Rsrs Na época, eu já tinha desistido dos Estados Unidos porque os cursos são caríssimos (mesmo os técnicos) e as oportunidades de bolsas para brasileiros são poucas. Voltei, então, a pesquisar com força total cursos na Espanha, França ou Portugal, mas nada que eu achava me agradava. Ou o curso era muito boboca, ou não tinha nada a ver comigo, ou era muito caro, ou não tinha bolsa para brasileiros, enfim, não estava curtindo nenhuma opção.



Daí, em vez de procurar por país, comecei a procurar pela área do jornalismo e ir filtrando. Logo no início, me apareceu uma bolsa incrível para um projeto de pesquisa, no qual o bolsista recebe até 2700 euros por mês para pesquisar sobre uma área do seu interesse por 1 ano. Parecia perfeito, até que.. Tan tan tan: que vi que era na Alemanha e larguei mão. Mas deixa eu explicar o porquê disso: eu não conhecia NADA sobre a Alemanha, tinha vindo pra cá em 2009, bem brevemente, num frio ridículo, com uma companhia péssima, foi o último país a ser visitado em um mochilão, ou seja, já estava quebrada e cansada, enfim não saí daqui com boas impressões. O idioma mais parecia marciano pra mim (não que esteja muito diferente agora...) e eu tinha a ideia de que todos os alemães eram péssimos no mundo. Pronto. Não quis.

Mas aquela bolsa tinha ficado na minha cabeça. Dois dias depois, voltei lá e decidi ler todos os detalhes da bolsa pra ver se era boa o suficiente para eu superar o fato de que era na Alemanha. E era. Mas também era difícil. Eu precisava ter um projeto e ter alguém na Alemanha que apoiasse e topasse ser meu host durante todo o ano da minha pesquisa. Como eu trabalhava no Programa da ONU para o meio ambiente e 2015 foi um ano muito importante para todo o mundo na área ambiental, decidi criar um projeto com essa pegada e comecei a pesquisar sobre como a Alemanha lidava com a área de mudanças climáticas. E não é que deu certo? Descobri que a Alemanha é um país super preocupado com ações ambientais, cheio de projetos maravilhosos e muito avançado na área de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, então comecei a escrever um projeto baseado no meu trabalho na ONU e nas pesquisas que fiz sobre o país. Parte do projeto é que você explique porque você precisa vir pra Alemanha pra executar isso e não pra qualquer outro país.

Bom, em 2 dias eu montei um esboço de projeto e saí a caça de algum alemão que topasse ser meu host. Eu sou bicho ruim e me colocando com um computador na mão, eu consigo tudo. O host pode ser uma pessoa ou uma instituição, seja ela pública ou privada, então comecei a googlar jornalistas, ONGs e empresas ambientais e também professores e as próprias universidades que oferecessem cursos nessa área. Com poucas horas, achei algumas opções, enviei e-mail para vários e em 2 dias, eu tinha uma host para chamar de "minha". Meu projeto tinha 2 páginas, mas precisava ter 7. Com a ajuda dela, fui desenvolvendo e consegui enviar tudo até o deadline, que era dia 15 de setembro. Modéstia a parte, meu projeto ficou sensacional e eu estava super confiante que tinha grandes chances de conseguir essa bolsa. A resposta dos semifinalistas, no entanto, só sairia no final de março. Então, não dava pra ficar esperando isso. Fui viver a vida.

No dia 2 de outubro, minha então chefe me disse que estaria renovando o meu contrato apenas até o dia 31 de dezembro e, quando chegasse mais perto, decidiria se renovaria de novo ou não. Ou seja, havia chances de eu entrar 2016 já desempregada. Com o Brasil enfrentando uma crise econômica e política seriíssima, a profissão de jornalista ainda desvalorizada, os salários baixos, decidi nem esperar e comecei a me programar pra sair do país, mesmo sem a bolsa certa. Eu ainda tinha algum tempo de emprego, então comecei a juntar um pouco nesses meses restantes e fui pesquisando curso de línguas. Como eu já tinha me inscrito pra bolsa na Alemanha, comecei a pesquisar muito sobre o país e só lia coisas maravilhosas. Sobre o povo, o custo de vida, a cultura, as cervejas (rsrs), a liberdade, e fui me apaixonando antes mesmo de vir. Li muitos blogs, assisti muitos vídeos de youtubers brasileiros que moram aqui, falei com muita gente no Facebook e meu conceito foi mudando totalmente.

Depois de uns 2 meses pesquisando Nice, Barcelona ou Berlim, optei por vir pra Berlim por alguns motivos simples: 1) preço: Sairia muito (mas MUITO mesmo) mais barato vir estudar em Berlim do que esses outros dois países; 2) Iniciar o contato com a língua alemã, já que eu estava tão confiante que ganharia a bolsa; 3) conhecer uma cultura nova, já que eu já tinha feito intercâmbio em Salamanca e em Paris; 4) Aqui, você pode beber na rua! Sem mais.



Fechei com a escola, arrumei uma casa pelo primeiro mês pelo grupo de brasileiros no Facebook, pesquisei coisas sobre o Visto, fiz minhas contas e, só então, contei pros meus pais e pra minha madrinha o que eu estava planejando. A reação foi a de sempre: "Mas menina, de novo você vai fazer isso? Pelo amor de Deus, você não para quieta, tá vendo que isso não vai dar certo.. Blá blá". É SEMPRE ASSIM. Mas enfim, aceitaram. Pedi a passagem pra minha mãe, o seguro saúde pro meu pai e me virei com todo o resto sozinha. Peguei todas as minhas economias, vendi meu carro, algumas coisas de casa (poucas, pois eu queria manter o apartamento completinho pra alugar caso eu permanecesse na Alemanha).

Comecei, então, a contar pra algumas pessoas, fui me organizando e chegou o dia de vir embora. No dia 29 de janeiro de 2016, eu embarquei rumo à São Paulo, para vir para a Alemanha. As expectativas eram as mais confusas que alguém poderia ter. Pela primeira vez, eu viajei cheia de dúvidas, sem saber se estava fazendo a escolha certa, já que ia enfrentar um frio descomunal, uma língua totalmente nova, ZERO pessoas conhecidas, largando meu apartamento, meu carrinho tão amado... Amigos e família não mexem muito na minha decisão de ir ou ficar, porque sei que eles estarão sempre ali e, embora eu sinta muita falta, a tecnologia tá aí pra isso.

Mas, enfim, foi assim que vim parar aqui! Rsrs O que aconteceu desde então é outra história. Eu não consegui a bolsa e fiquei muito triste e decepcionada com isso. Na época eu ainda estava aqui como turista e tive que correr pra tirar o visto de estudante e colocar o plano B em prática, porque, não importa o quão confiante eu estava, eu reconhecia a possibilidade de dar errado e precisava ter outra carta na manga! ;)

Agora, as novidades são outras e vem muita mudança por aí! Quem continuar acompanhando o blog, vai saber de tudo. :) Aproveite e se inscreva ali do lado para ser um seguidor e ficar por dentro de todos os babados que eu conto por aqui!

PS: A quem interessar possa, o nome dessa bolsa é German Chancellor Fellowship, um programa da Chanceler Alemã, a Angela Merkel, e acontece anualmente. As oportunidades são para 50 estudantes: 10 brasileiros, 10 dos EUA, 10 russos, 10 chineses e 10 indianos a cada ano. As inscrições estão, inclusive, abertas, então se você se identifica com o perfil e acha que tem chance, clique AQUI pra saber mais. Não preciso dizer que é necessário, no mínimo, ter um bom nível de inglês ou de alemão, né? Caso você não saiba alemão, a Fundação paga pra você estudar 3 meses antes do início da bolsa, o que não é suficiente. Eu que o diga, que estou aqui há quase 8 meses e só consigo me comunicar basicamente. Rsrs

Beijos de nuggets,
Pri.

1 comentários:

Priscilla Peixoto disse...

Xará, sei que a gente viveu pouca coisa por aqui, mas eu sinto uma felicidade enorme em ver teus planos e projetos dando tão certo. Morro de orgulho! Continue voando por aí e jamais deixe que te digam que algo não é possível :) Voa, borboleta! Avante, sempre! Amei o post! E espero que a nossa programação de mochilar por essas bandas dê logo certo. Mil beijos <3 :* Pri

Postar um comentário